terça-feira, 27 de maio de 2008

perfume de primavera

O calor esta chegando e, com ele, o mau cheiro do metrô. Essa é uma triste realidade em Paris. Ha um deficit crônico de desodorante das horas de rush.
Oito da manha, linha 4 (a pior), as portas do vagão se abrem e vem uma nuvem invisivel de cecê. "Eu tomei banho, não sou eu. Tenho certeza", reflito. Olho para os lados atras do possivel vilão enquanto os parisienses seguem tranquilos lendo seus jornais e livros-cabeça sem se importar com a murrinha dos companheiros de metrô. Eu não consigo disfarçar. Enquanto não encontro a (as) fonte (s) do mau cheiro, não sossego. De tanto observar, encontrei uma espécie de padrão para os fedidos do metrô. Isso me ajuda a escapar de uma viagem desagradavel. A importância de estar preparada.
Eis os culpados:
1-Se esta calor e tem um senhor de paleto de veludo ou gola rolê... podem apostar. Ele é um forte candidato.
2-Alguém com uma jaqueta que parece jeans lavado, mas de perto da para perceber que é um jeans amarelado de sujeira. Hmmm
3-Roupas étnicas. Apesar de serem amplas e rodadas, como na maioria das vezes esses tecidos afro ou indianos são sintéticos..., é fedor na certa
4-O turista de regata, suado, cheio de malas e sacolas de viagem

Bônus: Eu também culpo a publicidade. Na televisão, passa um comercial de um desodorante que promete durar 72 horas. Muita gente deve ter acreditado nisso. Aviso: não é verdade!

Momento Ronaldo:

Entro do metrô e vejo três criaturas extremamente maquiadas e sentadas. Caladas, passam o trajeto lendo revistas de fofoca. Pés e mãos grandes, mas com os colares de muitas voltas no pescoço, não dava para perceber se havia ali ou não

sábado, 24 de maio de 2008

Alalaô, ôôô ôôô. Ai que calor, ôôô ôôô

A gente reclamou, reclamou, reclamou. Mas agora que os dias congelantes de inverno passaram e não temos que carregar mais nosso casaco gêmeo pelas ruas de Londres e Paris, uma triste constatação: o mundo dito desenvolvido não está preparado para o verão.

Indício 1: transporte público
Os glamourosos ônibus vermelhos de Londres viram verdadeiras saunas ambulantes. É mais agradável estar do lado de fora, embaixo do sol.
Momento Pollyanna: chegar ao ser destino e sentir a brisa da rua é uma pequena felicidade.

Indício 2: moda
Se a obrigação de estar protegido do vento gelado faz os casacões disfarçarem o mau gosto, sob o sol de rachar toda a ousadia fashion aparece em uma explosão de criatividade, com resultados duvidosos.
Momento Pollyanna: essa é a grande chance para nós, brasileiras, mostrarmos nosso diferencial competitivo.

Meu testemunho
Eu achava que era balela, mas não é que as pessoas ficam mesmo mais felizes só porque está sol? Pergunta: será esta a explicação para o mito da alegria insuperável do brasileiro?

Se o efeito colateral para todo mundo é positivo, meu relógio interno tá doidinho da silva. Venho de uma cidade onde 18h significa noite. Não tem como querer jantar se 19h parecem ser três da tarde e se 21h parecem ser cinco e meia!!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Mochila nas costas, pé na estrada e mão fechada

Fazia tempo que eu não fazia uma viagem como estudante COM orçamento de estudante. Eu não lembrava mais de detalhes como:

- ficar em albergue num quarto com um monte de gente significa dormir praticamente agarrada com sua mochila se você esqueceu de levar cadeado

- acordar às 5h30 da manha com o despertador da colega que esqueceu de ajustar o alarme para o horário local

- tomar banho de chinelo com nojo do banheiro coletivo

- café da manhã é sinônimo de pão torrado com manteiga e café

- chamar sanduíche de almoço

- comprar o jantar no supermercado

- usar métodos de autoconvencimento para evitar excesso de gasto com transporte. “Ah, são só 20 minutinhos andando. A gente vai aproveitando a vista”

- aparecer em t-o-d-a-s as fotos com o mesmo casaco porque não quis pagar taxa extra para despachar bagagem na companhia aérea de baixo custo (isso tem singular conseqüência se você gosta de alguma cor berrante, digamos assim, laranja)


Síndrome de excesso de estrada

Você sabe que está dirigindo há muito tempo quando...

... começa a chamar o equipamento de GPS pelo nome: “Ela disse pra dobrar à esquerda no cruzamento”

... depois de uma seleção com Celine Dion e canções gospel, Lionel Ritchie parece a melhor música do mundo (Nota mental: deixar dessa besteira de querer expandir os horizontes musicais e levar meu próprio CD na próxima viagem com amigos)

terça-feira, 13 de maio de 2008

No reino das piores cantadas

A gente gosta de uma criatividade, mas, na duvida, melhor não inovar. Nesse período de convivio internacional, já' vimos de tudo.

Categoria Bin Laden
Mocinha lutando para ser atendida no bar de uma boate de três andares no centro de Londres. Mocinho se encosta, mocinha olha feio e vê que se trata de um espécime do oriente médio.
Ele - E ai', tudo bem?
Ela - Tudo bem – e se vira pro balcão.
Ele – O que é que você faz em Londres?
Ela – Eu estudo – e se vira pro balcão.
Ele – Eu sou terrorista. – com risadinha irônica
Ela – ...

Categoria Velhinho safado
Eu e Cintia andávamos pelas ruas de Paris, gargalhando faceiras como sempre, quando três senhores com o dobro da nossa idade se animam com nossa juventude. Um deles abre os braços e manda:
- Nos somos tres, vcs sao duas.

Categoria "Eu não sou daqui"
Mocinho dispara para Cintia:
- Pelo seu jeito de andar, vc não é francesa
- ...

Mocinho nigeriano diz para mim num dia de look descontraido:
- Pelo seu jeito de vestir, vc nao e' europeia
- Really?

Mocinho libanês diz para mim num dia de saia e lenço no cabelo:
- Vc e' francesa?
- Hein?

Categoria humoristica
Cintia com uma amiga no Favela Chic de Paris:
- Nessa noite voce vai ser a Beyoncé (pra Cintia) (Cintia: Ahahahah)
- E voce a shakira (pra amiga da Cintia)
Detalhe: amigo ao lado fazendo figuração acenava com a cabeça

Em outra ocasião, tambem no Favela Chic, o brasileiro olha mim dancando e aponta pros amigos - O', ate' que ela samba direitinho.
(Eu: Ahahahah)

Categoria circense
Rapaz com chapéu entrega um pacote de cartas de baralho pra mocinha em pleno bar/boate descolada da cidade.
- O que eu faço com isso? – diz mocinha, semi-abusada, gritando para ser ouvida mesmo com musica alta da banda pretensamente de influencia latina.
Rapaz indica com mímica que é para escolher uma carta. Mocinha pega qualquer uma. Rapaz tira do bolso carta semelhante. Mocinha se surpreende, e comenta:
- Legal. Agora eu vou fazer a mágica de desaparecer.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Humor russo?

Na rádio onde eu trabalho, que tem redações em 18 idiomas, jornalista da redação russa leva a filhinha de 4 anos para a máquina de café.

Pai: E ai, filha, o que você quer?
Menina: Um chocolate quente.
Pai: Tem certeza que não quer um café e um cigarro?
Menina arregala os olhos. Muito.

Suspeito ter sido uma tentativa de tirada cômica, porque, depois de dar a deixa, o pai cai numa gargalhada incontrolável.

Só ele riu. Eu, brasileira, não ri. O cara da redação alemã também não. O moço do Laos, que geralmente vive rindo de tudo, também não. Nem a filha, que é metade russa, riu.

Pergunta do dia: os russos têm um humor inacessível ou o cara é sem-graça?

Bônus
Logo depois, outro conflito de humor, desta vez na redação portuguesa.

Russa: Posso usar a cabine de gravação?
Português: Pode, são 10 euros o minuto.

Ele riu, eu esbocei um sorriso.

A russa nem isso. Só repetiu a pergunta:
- Posso usar a cabine?

Pergunta: Os russos não têm humor ou o senso de humor é "diferente"?